30 de junho de 2013

Deus está morto?


Não, essa postagem não é sobre Nietzsche (apesar dessa imagem dele). E também não é sobre a assertiva de Nietzsche sobre Deus estar morto e não ser mais necessário na filosofia. O negócio desse título e desse Nietzsche com um cogumelo atômico e macarrão no bigodom é a música "God is Dead?" do disco novo do Black Sabbath, o "13", que pra alegria dos ouvintes, ficou muito bom. O que me interessa aqui é o tema e o sentimento em que fui inserido ao ouvir a voz sibilante do Ozzy em meio aos riffs magníficos e justos da música. Quem não ouviu, ouça. Vou colocar o video recém-lançado da música no fim desta postagem. Esse lugar que a música me inseriu é o tema morte de Deus primeiramente com relação ao indivíduo. Ou de outra forma: o lugar de pensar as implicâncias das atitudes diante da existência e relevância de Deus na vida do indivíduo (tema recorrente nas letras da banda), assim como os motivos internos que levam o indivíduo a crer ou não em Deus. Eu acredito que se você levar a sério o tema da música, ela te leva a ter que considerar que coisas subjetivas próprias do indivíduo como as nossas experiências, relacionamentos, desilusões pessoais, nossos medos e remorsos, as nossas atitudes de esperança ou de covardia, por dores ou por grandeza, nossa vontade de potência, os nossos desejos com relação a vida, as frustrações e surpresas com a nossa natureza humana, as nossas preferências estéticas, dentre outras coisas, podem influenciar em como nós levamos à frente questão de Deus – de presença, existência, ausência ou não existência. Sendo assim, o problema da existência (ou não) de Deus, seria um problema humano, de cada um de nós, e não um problema específico do Teísmo, àqueles que anteriormente creem na existência de Deus. Lembrei-me de uma passagem que eu tinha lido no Tim Keller há um tempo atrás.

Todo mundo sabe que há razões emocionais e psicológicas para se querer crer em Deus. De fato, muitos céticos em algum momento argumentam que a crença em Deus é simplesmente uma forma intensa de projeção de desejos pessoais. Mas raramente as pessoas apontam que todos nós temos razões emocionais e psicológicas gigantescas para não crer em Deus. Como assim? Qualquer um pode perceber de forma bastante rápida ao olhar para um livro como a Bíblia ou para uma mensagem como a do evangelho, que se elas forem verdadeiras, você perderia certo controle sobre como viver a sua vida. Quem pode dizer que é objetivo e neutro com relação a tal proposição? Thomas Nagel é bem justo ao reconhecer isso. Para ele não é possível dizer "Eu sou completamente objetivo e indiferente ao considerar o problema da existência de Deus, porém eu simplesmente não tenho evidência suficiente". Eu espero que você veja que ninguém pode fazer tal afirmação com integridade. Todos nós temos camadas profundas de preconceitos lutando contra a ideia de um Deus santo que possa ter exigências absolutas para nós. E se você não reconhecer isso, você nunca vai chegar perto da objetividade. Nunca.

Digamos que você seja um juiz e um dia chega até você um caso sobre uma companhia que você é acionista e a decisão terá grande efeito no preço das ações. Você seria permitido ou você se permitiria julgar o caso? Naturalmente não, pois você não teria a possibilidade de ser objetivo ao saber que se a decisão for por um determinado caminho, você iria perder todo o seu dinheiro. Você, então, tem que se abster. Eis o problema: Com o Cristianismo, nós estamos todos nessa posição. Quando chegar a hora de decidir se as afirmações dele são certas ou erradas, você tem ao menos alguns interesses pessoais em risco se elas estiverem certas. E você não pode se abster, você pode apenas considerar o problema. Por isso, eu gostaria de sugerir algumas formas de lidar com tal dilema.

Primeiramente, duvide das suas dúvidas. Seja cético com relação ao seu próprio ceticismo. Por quê? Pra perceber que você não é completamente objetivo. Talvez você tenha pais muito religiosos que você não gostou. Ou talvez você tenha tido uma experiência ruim com algum grupo de cristãos sem bom senso e inconsistentes. Além dessas coisas, como vimos, não há muita gente que poderia receber um convite para abrir mão de sua liberdade sem nenhum preconceito. Se você tem medo de que as afirmações do Cristianismo sejam verdadeiras, não se preocupe. Se formos sinceros, todos nós temos. Você nunca será justo com relação à questão da existência de Deus se você não reconhecer que você não pode ser imparcial quanto a ela. O que você pode fazer então? Você pode simplesmente ir devagar, para não chegar tão rápido a conclusões céticas. Você deveria reconhecer que, também, se o Cristianismo for verdadeiro, ele não é apenas um conjunto de princípios racionais e filosóficos a serem adotados, mas um relacionamento pessoal a se entrar. Ao levar a sério, então, ao menor a possibilidade de que ele seja verdadeiro, por que não considerar fazer uma oração? Por que não dizer "Deus, eu não sei se você tá aí, mas conheço meu preconceito e estou disposto a duvidar dele. Portanto, se você tá aí, e eu tenho esse preconceito, me ajude a vencê-lo". Quebre o gelo com Jesus. Converse com ele. Ninguém tem que saber que você vai fazer isso. Se você não quiser fazer, eu suponho que você não está disposto a vencer o seu próprio preconceito, de onde nós partimos.

— Timothy Keller


Referências:

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom! Suponho, a partir do trecho do citado, que o livro seja interessante.

Victor Renan disse...

Boa postagem!
Sempre achei o blogger melhor. :)

Rafael Faria disse...

O livreto tá menos de 2$ no kindle: http://www.amazon.com/First-Christian-ENCOUNTERS-SERIES-ebook/dp/B00BLDKD70/

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