23 de março de 2015

Jesus Dionisíaco


A Ceia é pão alimento para a vida. A Ceia também é vinho um sinal do descanso e realização, um sinal da nossa inclusão numa nova aliança, onde sacerdotes podem beber vinho na presença de Deus.

Por que vinho? Porque Cristo é o verdadeiro Dionísio, o verdadeiro Deus do vinho. O Dionísio dos gregos oferecia o vinho da morte. Loucas por causa do vinho de Dionísio, as mulheres de Tebas arrancaram membro após membro do rei Penteu. A mãe de Penteu, alucinada, levou a cabeça dele de volta à cidade em triunfo. Embriagado com o vinho de Dionísio, Licurgo tomou seu filho por uma vinha e o trucidou. O vinho de Dionísio deixa um rastro de destruição, insanidade, assassínio, canibalismo, guerra e abuso sexual.

Cristo, o verdadeiro Deus do vinho, oferece o vinho da benção e da abundância, uma oferta de gratidão a Deus. O vinho oferecido por Jesus brinda a Deus e ao homem, marca a renovação da aliança e é compartilhado por aqueles que amam. Ele é o vinho da nova criação, bebido pelo novo Adão, por Noé, depois de o dilúvio purificar a terra. Ele é o vinho da vitória que Melquisedeque levou a Abraão depois da batalha. Ele é “o vinho do ágape e do banquete da comunhão” (David Hart), o vinho da alegria mútua. Ele é o vinho, como disse Salomão, que alegra a vida.

O vinho do verdadeiro Dionísio não está isento de perigo. Ele é o vinho da ira do santo Senhor, o Deus transcendente, o Deus que escapa a cada tentativa nossa de controle ou manipulação. O vinho de Cristo é o vinho espumante e forte em seu cálice, vinho que ele derrama para fazer seus inimigos cambalearem e caírem. O vinho de Cristo também pode levar as pessoas à loucura, pois alguns dos que vêm a essa mesa estão doentes, e alguns já dormem.

Esse vinho não é seguro; mas ele é o cálice da benção.

Peter J. Leithart