1 de março de 2017

A Luta entre o Carnaval e a Quaresma

A Luta entre o Carnaval e a Quaresma // Pieter Bruegel o Velho, 1559
A obra "A luta entre o Carnaval e a Quaresma" ilustra o conflito dualista humano, uma tensão entre o impulso religioso e o desejo excessivo por prazer, exclusivamente através dos sentidos (sensual). É uma expressão quase cirúrgica do que temos nas culturas da cristandade, a entrega desenfreada antes que a quaresma chegue ou, em outros casos, a entrega para o prazer antes que a seriedade do ano com sua rotina pesada chegue – afinal é carnaval e tudo está liberado.

O paradoxo entre "natureza e graça" e "santo e profano" faz com que alguns recorram a caminhos que vão do isolamento cultural, com aparente "pureza", suprimindo a natureza (os prazeres da carne) até a entrega total mesmo que termine na sarjeta.

O religioso pode no carnaval ver o caminho da vida a partir do monastério das abstinências, e de lá, levantar sua vara de "justo juiz" com nojo dos depravados em folia. O folião tende a dar vazão aos desejos obscuros dentro de si que não conseguem vir à superfície todos os dias, e se concentra apenas nisso, agindo de uma forma individualista. Ambos os casos são feios de mais, pois ignoram o que há de mais precioso e prazeroso e negligenciam as reais necessidades que nos cercam – Geralmente em tempos de prazeres assim as atrocidades não mobilizam e nem chocam.

Ante a isso tudo, o que resta geralmente ou é um sentindo de que não se aproveitou como os outros ou então uma ressaca moral por ter ido parar na sarjeta.

Que no carnaval encontremos a fonte do prazer e nos satisfaçamos por inteiros nela. Essa fonte que nos leva ao outro, ao próximo, não nos restringe à satisfação egoísta, mas nos toca para ver aqueles que têm sede de vida, aqueles que sofrem na existência.

Lucas Louback

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